Namorado? Marido? Amigo?

Postado por Cantinho da Beleza e Cia. às 22:15:00
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Entenda o que pensam os casais que têm medo de rotular a relação



Amizades coloridas, namoros abertos e casamentos sem véu e grinalda. É cada vez mais comum encontrar casais que resolvem se unir de maneira nada convencional. Por outro lado, são muitos os que questionam e sofrem com a falta de comprometimento da nova geração, que aprendeu a beijar na boca mais cedo, mas se esqueceu de se envolver de verdade. Será só esquecimento ou uma maneira de evitar sofrimento? Segundo especialistas, a realidade moderninha do "ficar" sem compromisso pode esconder um desejo íntimo bem saudosista: rotular a relação.


Segundo Beatrice Marinho Paulo, psicóloga perita do Grupo de Apoio Técnico Especializado (GATE), a necessidade não é do rótulo e sim da entrega e do comprometimento: "A necessidade não é do nome, mas sim do que ele traz. Quando você rotula uma relação, dá um sinal de que existe um interesse maior, que o outro está investindo em você. É muito natural porque, quando se fala em relações, se fala em envolvimento e segurança, é isso o que o rótulo traz".

Beatrice destaca que o título não é sinônimo de que tudo vai bem: "Tem que tomar cuidado com o rótulo que é colocado só para satisfazer o outro. Quando isso acontece, não dá certo, já que ele não vai trazer uma sensação de compromisso, de saber onde está pisando e até onde você pode se envolver".


Guerra dos sexos

Tradicionalmente é a mulher quem mais exige uma definição do relacionamento, mas a psicóloga chama a atenção para a mudança dos tempos.: "É claro que a mulher tende a querer mais uma rotulação, até pelo fator biológico, de construir um lar, uma família. Mas tem crescido o número de homens que reclamam do descaso com o compromisso. Acredito que o ser humano esteja com medo de se envolver e se machucar. Esse receio pode vir de vários lugares, mas é cada vez mais presente. O interessante é que a ânsia pelo rótulo e o medo dele coexistem" reforça.

Esta resistência, segundo a especialista, pode ter origem no histórico de vida da pessoa: algo relacionado aos pais ou a alguma experiência amorosa que resultou em uma fobia de rótulos, o que não é sinônimo de que ela não esteja envolvida: "Cada história é uma história, e o casal deve ter disponibilidade de se entender. Tem gente que acredita que, quando há a rotulação, a relação se deteriora, e que é melhor deixar o relacionamento livre. Mas isso sempre deve ser conversado".

 
 

 
Sem seguir padrões


Há também quem encontre compromisso em relações que não se encaixam nos padrões estabelecidos. A psicóloga explica: "Muitas pessoas criam a sensação de comprometimento de outras formas e têm um relacionamento aberto, diferentemente do que a gente entende como tradicional, e conseguem manter relações livres e felizes. Mas isso porque eles se sentem supridos do fator 'compromisso".

Um exemplo disso é a relação que a engenheira civil Sílvia de Andrade mantém com seu namorado, Victor. Juntos há dez anos, eles vivem em casas separadas. Ela, no bairro carioca da Barra da Tijuca, e ele no Leblon, zona sul do Rio de Janeiro. "Eu fiquei viúva e tinha três filhos para criar. Depois de quatro anos, conheci o Victor e começamos a sair. No primeiro ano, a gente ficou junto, mas só se via de vez em quando. Só depois que a gente começou a namorar de verdade", conta a engenheira.

Ao contrário do namorado, Sílvia, que já subiu ao altar uma vez, explica que não tem interesse em se casar novamente. "Meus filhos não gostam da Zona Sul, já tinham a vida deles aqui na Barra. A mesma coisa acontece com o Victor. Além disso, não tenho mais interesse em casamento. Do jeito que levamos nossa relação é melhor, temos mais liberdade para cada um viver a sua vida. A gente até vem conversando sobre a possibilidade de morar junto, porque meus filhos estão mais velhos, mas ainda não quero. De repente, depois de os filhos saírem de casa. Para mim as coisas estão boas do jeito que estão. Me acostumei com a nossa rotina. Nos vemos sempre, saímos, jantamos um na casa do outro, mas preciso de um lugar só meu, de um momento só meu", diz.


 

 
Nome aos bois


Pietra, que faz parte do polêmico programa "Papo Calcinha", do canal a cabo Multishow, acredita que o rótulo é de extrema importância. "Quando você está saindo com um cara, chega um momento em que alguém precisa falar articuladamente que sim, que isso é um namoro e temos um compromisso. ‘Agora vamos transar e depois ir até a locadora?'. Os envolvidos sabem em que tipo de ‘pacto' estão se envolvendo, e que concordam com isso, não é apenas uma ‘viagem platônica', em que apenas um está comprometido", explica.

A loira acredita que a tendência à indefinição do vínculo existe, mas que a relação que se cria a partir daí está longe de ser aberta, já que não haverá diálogo e consenso. "O não-rótulo só pode existir com o silêncio das duas partes, nunca cobrando nem questionando nada, o que eu acho bem difícil. A partir do momento em que os dois sentam para conversar, estará dando um rótulo, ainda que seja ‘podemos fazer qualquer coisa, mesmo estando juntos'", exemplifica.

Pietra faz coro com a psicóloga Beatrice quando afirma que não é o título que beneficia o casal, mas o que ele desenvolve e estabelece para si: "Um acordo sobre os limites de cada um, e com tudo bem claro, só pode vir a beneficiar a relação. A rotulação não traz mais segurança. O que traz mais segurança são a cumplicidade, a amizade, o respeito e a vontade de fazer funcionar!", ressalta. Ela observa que a falta de rótulo pode significar um medo de compromisso, mas que, na maioria dos casos, é apenas um envolvimento menor de uma das partes "ou pura cara de pau mesmo!".

Expectativas conflitantes


E quando não há consenso? A integrante do "Papo Calcinha" responde: "Se um dos dois não quer rotular, então não temos um casal. Para mim, as necessidades têm que ser parecidas, ou então, sendo muito diferentes, que seja natural para o outro aceitar numa boa e até curtir". Ela conta que já passou por situações em que um estava mais envolvido que o outro ou tinha prioridades diferentes. "Mas e aí, né? Tem que ter coragem. Ficar sozinha não dói. O que dói é viver uma relação instável. Isso eu deixo para a minha memória adolescente e para os filmes. Na vida real, eu quero sexo hardcore e risadas cúmplices", empolga-se.

O ator Daniel Erthal conta que, para ele, qualificar o envolvimento é uma maneira de estabelecer um nível maior de confiança entre o par. "Existem casos e casos, mas acho que saber se você é ‘namorado', ‘amigo' ou ‘marido' é algo extremamente necessário. Eu mesmo vivi um caso assim, mas agora a gente resolveu estabelecer um compromisso, porque se não você fica no meio do caminho. Chega um momento da relação que não dá mais para deixar correr solto, você precisa saber se pode confiar ou não, se tem compromisso ou não, se você precisa dar algum tipo de satisfação ou não. Não rotular é pior, você fica confuso com uma relação que não sabe muito bem o que é".


Daniel acha que a razão para temer um compromisso é a incapacidade de definir um relacionamento. "As pessoas não conseguem mais confiar muito umas nas outras, elas não têm muita certeza de até onde podem ir, então têm medo de se machucar. Mas quando você tem confiança na pessoa, muda tudo. Acho que a naturalidade é o melhor caminho para se construir um vínculo. Se você gosta da mulher, vai sentir que é com ela que quer ficar", ressalta.

Para os casais que não conseguem chegar a um acordo, Beatrice recomenda o diálogo. "Um deve estar aberto ao outro, entender as razões do que está em jogo. Um casal que não está aberto para perceber as necessidades já começa mal. Se um deseja o rótulo, se precisa dele, e o outro se recusa a dar, a relação pode ir para um caminho não muito bom", alerta. Embora muitos considerem a nova geração descompromissada, a psicóloga defende: "Acredito que a tendência da sociedade contemporânea é criar compromissos, sim. Agora, cada um vai encontrar a melhor forma de estabelecer esta relação. Seja com ou sem rótulo".

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